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Talvez o melhor jeito de suportar a ideia da morte seja sendo uma boa pessoa para aqueles que você ama, demonstrando todo o seu amor do melhor jeito possível, expressando e expressando sempre, amando. O amor é a resposta para muitas questões. E amar não para dentro, só na mente, mas externalizar!!  Deixar  que saibam! Não se trata de um desespero exaustivo de demonstrações de afets vazias, não se trata de encher o caminho de flores todos os dias para todo mundo que amamos, isso seria um absurdo. Mas ser uma boa  pessoa e fazer o possível para deixar aqueles que você ama bem, cuidar deles com os pequenos detalhes, uma ligação no meio do dia, cuidando em pequenos detalhes, enfim... Não sei. São tantas coisas possíveis! A gente nunca, nunca vai ta preparado para a morte, para ver alguém morrer. Mas que pelo menos possamos ter a consciência limpa e permitir que, depois, o que reste seja a saudade... E não uma carga pesada de arrependimentos. Nada mais amargo que o arrependimento de não t…

Sobre o fim de um ciclo; sobre o fim da faculdade

Sobre o fim de um ciclo, sobre o fim da faculdade e sobre a bibliotecaAntes, esses rostos todos me eram tão conhecidos… Eu sabia quem ali estava, quem ali estaria. Ao passar pelas mesas, às vezes apressada, às vezes a passeio, o caminho era interrompido por abraços diversos. Olá, tudo bem? Como você está? Abraços e beijos nas bochechas, diversos. Antes, eu conhecia os cabelos, os penteados, as cores. Havia o cabelo da L., que se destacava e, logo abaixo, suas covinhas sempre acompanhadas do seu sorriso - sempre! Sempre sorrisos… O curto cabelo de S., que fazia meu coração palpitar. Nessa, o sorriso era mais tímido, mais escondido, mas sempre amigável e simpático. Em uma monitoria ou outra, eu a via ali… Há mais tempo, há muito mais tempo, sabia que haveria corpos conhecidos estirados pelo chão, ao lado das estantes de livro, descansando de muito cansaço, esperando caronas prováveis. Eu sabia que talvez veria T. e seus cachos absurdamente lindos e ele estaria com alguma camisa de banda …
A saudade me faz perder a noção do tempo: semanas tornam-se anos e o peso desses anos todos me batem forte em semanas. Quanto tempo até nos vermos? Quantos anos podemos viver em um dia?

Fotografias em palavras

Há momento que sinto medo de perder de vista, de esquecer, sem querer.Como aqueles dias de agosto...
Em um dia comum daquele mês... Os dedos dele seguram aquela pequena flor com delicadeza, enquanto ele me mostra seus detalhes e me explica, seriamente, sobre a beleza dela. Ele sempre me explica sobre todas as coisas do mundo e eu o ouço, admirada. Às vezes me distraio  e presto toda minha atenção só nele: o jeito como a boca dele mexe enquanto fala me interessa muito mais, me perco enquanto navego na onda sonora da sua voz... A flor, a voz, o homem, os dedos... Aqueles dedos me tocam como tocam naquela flor.
19 de Agosto de 2017 São os seus detalhes que me encantam mais - e todas as outras coisas também. São os pequenos momentos que mais sinto medo de esquecer, aqueles pequenos gestos de carinho e de atenção que deixamos passar, mas que são valiosíssimos. Como naquele dia de agosto... Enquanto você vasculhava alguma coisa pela casa, eu te esperava na porta do quarto, pouco antes de ir e…

Guarda-chuva amarelo

Você não me apareceu com um guarda-chuva amarelo. Na verdade, eu que segurava um livro de um autor do seu agrado. Tolkien foi o nosso guarda-chuva amarelo. Que sorte a minha ter me sentado naquele banco e não em outro lugar. Não foi eu que te encontrei, você que me achou. Você sorriu para mim e eu sorri de volta. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas algo aconteceu. Antes que você pudesse me ouvir cantar “La vie en rose” na varanda de um prédio qualquer, antes de você se apaixonar perdidamente por uma imagem platônica, ilusória e fantasiosa, depositada no meu rosto, nos encantamos um pelo outro, assim, cotidianamente, sinceramente. E logo estávamos cantando juntos no telefone, cantando juntos em um bar com karaokê. “Ter saudade até que é bom”, você disse. “É melhor do que caminhar sozinho”, completei. Era tanta paixão, que era difícil disfarçar. E disfarçar pra quê? Ei, gosto tanto de você. Eu também, meu bem. Gosto muito de você.

Lar.

Pela segunda vez, você me convida ao seu lar. Eu entro timidamente, mas já me sinto abraçada por cada quadro na parede e pelo seu sorriso que me diz: seja bem-vinda na minha vida. E eu me sinto. Eu me permito entrar e me aconchego no seu sofá e no seu abraço. Em uma mania errada, eu me desculpo antes de dar oi. Desculpo pelas roupas molhadas pela chuva, pelo sapato que deixou pegadas pelo chão, pelo cabelo que... Eu me desculpo por- -ssshh. Eu sorrio e me sinto muito boba por simplesmente não ter te beijado ao te ver. E te beijo, te abraço, sinto suas mãos pela minha cintura. Genuinamente feliz. Em paz. Ainda que toda molhada da chuva. Na segunda vez na sua casa, tomo banho pela primeira vez na sua casa. E sorrio comigo mesma: será que fui eu que mudei ou foi você que me conquistou rápido demais? Em tão pouco tempo e já andamos tanto... você nem imagina o quanto. Como eu brinquei com você: você é um homem vivido, eu não. Mas algo em você me fez estar à vontade no seu lar, no seu colo…

Conquistas

1.
Me permitir ir embora;
Me permitir entrar em outro lar;
Me entregar a outro.

2.
Segurar a mão dele;
Passear pelo corpo dele;
Sentir o cheiro dele.

3.
Não sussurrar o seu nome, por descuido;
Te ver com ela na rua;
Desencantar os meus olhos, que te viam errado.

4.
Querer outra voz;
Sentir outro calor;
Me apaixonar mais uma vez.

5.
Entender que não rola;
E me enrolar em outros lençóis.

Uma bela lista de conquistas.
Mas ainda me parece errado...