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Guarda-chuva amarelo

Você não me apareceu com um guarda-chuva amarelo. Na verdade, eu que segurava um livro de um autor do seu agrado. Tolkien foi o nosso guarda-chuva amarelo. Que sorte a minha ter me sentado naquele banco e não em outro lugar. Não foi eu que te encontrei, você que me achou. Você sorriu para mim e eu sorri de volta. Eu não entendia o que estava acontecendo, mas algo aconteceu. Antes que você pudesse me ouvir cantar “La vie en rose” na varanda de um prédio qualquer, antes de você se apaixonar perdidamente por uma imagem platônica, ilusória e fantasiosa, depositada no meu rosto, nos encantamos um pelo outro, assim, cotidianamente, sinceramente. E logo estávamos cantando juntos no telefone, cantando juntos em um bar com karaokê. “Ter saudade até que é bom”, você disse. “É melhor do que caminhar sozinho”, completei. Era tanta paixão, que era difícil disfarçar. E disfarçar pra quê? Ei, gosto tanto de você. Eu também, meu bem. Gosto muito de você.
Postagens recentes

Lar.

Pela segunda vez, você me convida ao seu lar. Eu entro timidamente, mas já me sinto abraçada por cada quadro na parede e pelo seu sorriso que me diz: seja bem-vinda na minha vida. E eu me sinto. Eu me permito entrar e me aconchego no seu sofá e no seu abraço. Em uma mania errada, eu me desculpo antes de dar oi. Desculpo pelas roupas molhadas pela chuva, pelo sapato que deixou pegadas pelo chão, pelo cabelo que... Eu me desculpo por- -ssshh. Eu sorrio e me sinto muito boba por simplesmente não ter te beijado ao te ver. E te beijo, te abraço, sinto suas mãos pela minha cintura. Genuinamente feliz. Em paz. Ainda que toda molhada da chuva. Na segunda vez na sua casa, tomo banho pela primeira vez na sua casa. E sorrio comigo mesma: será que fui eu que mudei ou foi você que me conquistou rápido demais? Em tão pouco tempo e já andamos tanto... você nem imagina o quanto. Como eu brinquei com você: você é um homem vivido, eu não. Mas algo em você me fez estar à vontade no seu lar, no seu colo…

Conquistas

1.
Me permitir ir embora;
Me permitir entrar em outro lar;
Me entregar a outro.

2.
Segurar a mão dele;
Passear pelo corpo dele;
Sentir o cheiro dele.

3.
Não sussurrar o seu nome, por descuido;
Te ver com ela na rua;
Desencantar os meus olhos, que te viam errado.

4.
Querer outra voz;
Sentir outro calor;
Me apaixonar mais uma vez.

5.
Entender que não rola;
E me enrolar em outros lençóis.

Uma bela lista de conquistas.
Mas ainda me parece errado...

I.

Você me quis com desejo e ternura, com suavidade e fervor. Sua voz aquece o meu coração, arrepia a minha pele e as partes secretas do meu corpo. Você me invade e eu sinto medo, mas encontro segurança no teu perigo. Eu me protejo com medo de que teus doces beijos se tornem tóxicos. Mas, como podem lábios tão cuidadosos me ferir? Talvez você me proteja melhor do que eu mesma.
Solto as minhas correntes e me enlaço em você. Permito que você entre, de mansinho. Passeie pelos sinais do meu corpo, caminhe por minhas curvas e esquinas com teus lábios. De olhos fechados, sinto o seu toque quente em minha pele fria. Iremos ferver juntos, sim, ao som dos nossos suspiros.
No fim, deitarei em seu corpo e dormirei em paz, na segurança do seu lar. Eu aceitarei a felicidade que você tiver para me oferecer, encolhida em seus braços - e me acalmo com seus dedos enrolados em meu cabelo.
(...)

Tv show

Eu ouvi as palavras que eu precisava ouvir...
Em um seriado. O roteirista conseguiu dizer o que você é incapaz. Aquele ator, no ápice do fingimento, pôde sentir o que você não pode. Diante de tantas câmeras, entre um “corta” e outro, ele conseguiu sentir o que você, no silêncio do nosso quarto, não consegue sentir.    Lá está o mocinho, fazendo o seu papel. Ele é idêntico a você. A cor da pele, as roupas estúpidas, fazendo todo mundo acreditar que o “mocinho” existe. Haha. Mentindo para a plateia de que há um cara que é diferente. Ele mente melhor do que você, porque ele sente, no ápice da atuação, ele sente o que você não pode sentir. Embora tenha sido você, fora das câmeras, que me fez acreditar nessa grande mentira.